
O sistema de transporte de Goiânia se baseia em 23 terminais de integração. Dentre estes, um se destaca dos demais: O Praça A. Construído no centro de uma grande rotatória na região do bairro de Campinas, o ponto de conexão já chama atenção pela localização pouco usual para um terminal urbano.
Erguido na década de 70, como parte integrante do Eixo Anhanguera, que prometia reestruturar o sistema de transporte da capital goiana, o formato original não ocupava a totalidade da área da rotatória. A área de embarque foi construída em formato retangular, deixando a parte restante da rotatória para bolsões de estacionamento dos ônibus em espera.
26 anos de abandono
O Praça A ficou por 26 anos sem uma reforma estrutural. Até 2025, o terminal manteve basicamente a mesma estrutura desde a sua construção, passando apenas por reformas pontuais e estéticas. Com o passar dos anos, a construção não acompanhou o crescimento do fluxo de passageiros no local e as plataformas ficaram pequenas para os usuários, especialmente nos horários de pico.

Em 2025, o governo de Goiás anunciou a reconstrução do terminal, uma obra avaliada em 29 milhões de reais e concluída em nove meses, adaptando o novo terminal às necessidades dos mais de 50 mil passageiros que passam pelo local, e às especificações do Eixo Anhanguera, que está em processo de reformulação.
A nova fase do terminal
Com a reconstrução, o terminal triplicou de tamanho, passando de 1.941,60 m² para 5.541,76 m² , segundo informações da Secretaria de Comunicação do estado de Goiás. A ampliação foi sentida por quem passa todos os dias pelo local. A estudante Gabriela Ogashawara passa diariamente pelo local e também usou a estrutura antiga do local. Para ela, o terminal melhorou muito em termos de segurança e iluminação, se sentindo muito mais confortável para pegar linhas no período noturno. “No antigo, eu não tinha costume de pegar ônibus à noite”, destaca ela.
Em termos de formato, a estudante destaca positivamente o ganho de espaço criado com o novo estilo do terminal. Mas, para ela, o excesso de semáforos na região, necessários para regular o trânsito ao redor do terminal, aliado ao tamanho da volta que os ônibus de algumas linhas precisam dar para entrar no terminal, são pontos negativos. Segundo Gabriela, às vezes o segundo ônibus que ela precisa tomar está na plataforma de embarque, mas ela acaba o perdendo pela demora para entrar no terminal com o primeiro ônibus.
População precisará se adaptar ao novo fluxo do trânsito
Vídeo: Raniê Solarevisky – BIGOD/UFG
Segundo o professor e engenheiro Enio Pazini, a reforma trouxe ao terminal um melhor aproveitamento do espaço da rótula e a possibilidade de melhorias de acessibilidade. Segundo Ênio, a composição estrutural escolhida não foi por acaso: “foram feitas novas estruturas com vigas de concreto e vigas metálicas, isso possibilita grandes vãos que dão possibilidade de maior circulação interna e isso acaba trazendo conforto e bem estar.” destaca Enio.
Quanto ao trânsito, Ênio destaca que será preciso adaptação da população, devido às passagens de pedestre e acessos do terminal, são necessários semáforos, para garantir a segurança de quem acessa o terminal a pé. “Isso é uma coisa que a população terá que entender ao longo do tempo, é para trazer maior segurança às pessoas que vão acessar o terminal, mas traz como sequência paradas adicionais às pessoas que estão com automóvel.” explica Enio.
