- Análise de caso: as bibliotecas públicas do Centro Cultural Marietta Telles Machado - 15 de junho de 2026
As Bibliotecas Públicas surgem com a função de garantir o acesso democrático à informação, à cultura e ao lazer. Se a biblioteca for bem estruturada, ela tende a não ser reduzida a um local que apenas realiza o empréstimo de livros, tornando-se um espaço de inclusão social e apoio educacional. Mas a forma como tem sido feita a gestão de bibliotecas públicas históricas em Goiânia tem deixado muito a desejar. A falta de divulgação e organização desses espaços tem cada vez mais afastado os usuários.
Recentemente, pela disciplina de Usos e Usuários da Informação, tive a oportunidade de visitar a Biblioteca Braille José Álvares de Azevedo, que funciona no complexo cultural da Praça Cívica, mais especificamente no Centro Cultural Marietta Telles Machado. A experiência que eu tive não foi satisfatória. O local onde a biblioteca se encontra é relativamente isolado e pouco visível, não foi possível encontrar placas ou materiais informativos sobre a localização da biblioteca, o que dificulta a divulgação. Além disso, foi possível observar algumas limitações quanto à acessibilidade, ausência de sinalização, rampa e carência de piso tátil. A iluminação não está totalmente adequada, principalmente para pessoas com baixa visão, que necessitam de um nível de iluminação mais elevado. O acervo aparenta ser reduzido, e o atendimento recebido não foi satisfatório, já que a funcionária presente não era a bibliotecária responsável e soube responder muito pouco das dúvidas que tive.
É evidente que os problemas relatados não são de hoje. Em 2018, o Mais Goiás fez uma reportagem apontando que o prédio que abriga a biblioteca e outras equipamentos culturais passam despercebido por muitos goianienses, devido à falta de sinalização e à localização pouco visível. Isso impacta diretamente na falta de usabilidade e desconhecimento da população em relação às bibliotecas presentes no local, que são três: Biblioteca Estadual Pio Vargas, Biblioteca Braille e Gibiteca Jorge Braga.
A Teoria Sistêmica, desenvolvida por autores como Ludwig von Bertalanffy, Gregory Bateson, Ranganathan, Norbert Wiener, compreende que um sistema é formado por elementos interdependentes que se relacionam entre si e compõem um ambiente organizado. O processo que ocorre nessa teoria é cíclico, envolvendo a avaliação, retroalimentação e feedback para que o ciclo continue funcionado.
Sob esse perspectiva, percebe-se várias falhas em relação à organização e divulgação das bibliotecas localizadas no Centro Cultural Marietta Telles Machado. A Secretaria de Estado da Cultura de Goiás (Secult Goiás), como órgão responsável pela gestão dos equipamentos culturais estaduais deveria disponibilizar maiores investimentos e um planejamento mais eficiente para um local tão importante. Na perspectiva sistêmica, problemas de infraestrutura, comunicação e atendimento não afetam apenas setores isolados, comprometem o desempenho do sistema como um todo, dificultando o acesso à informação e reduzindo a efetividade dos serviços oferecidos aos usuários.
A relevância da biblioteca pública está condicionada ao engajamento e à frequência da comunidade, então, se a mesma estiver invisível aos olhos da população, sua existência possivelmente estará ameaçada. Nessa perspectiva, os estudos de usuários são essenciais, pois “constituem uma análise das características de determinados indivíduos observando seus aspectos sociais, econômicos, culturais, educacionais, etc. São aspectos pertinentes à identificação e analise das necessidades informacionais, com o propósito de oferecer serviços coerentes e que atendam os indivíduos e a comunidade em geral” (Valdrich; Cândido, 2018, p.3)
Diante desse cenário, para que a biblioteca pública se consolide como um espaço efetivamente público, é fundamental fortalecer os processos de gestão e oferta de serviços da biblioteca. Em uma sociedade em que grande parte da população ainda não reconhece a importância desses espaços, torna-se necessário que a biblioteca se insira de forma mais ativa e atrativa na sociedade, desenvolvendo suas atividades de maneira eficiente, acompanhando as novas demandas informacionais e sociais. Para isso, conhecer as necessidades informacionais de seus usuários é essencial, pois somente a partir da compreensão de seu público a biblioteca poderá manter-se relevante diante das exigências da sociedade atual. Como disse Feitosa (1998, p.34) ” a biblioteca pública perecerá se não se retroalimentar com seu público”.
REFERÊNCIAS:
CÂNDIDO, Ana Clara; VALDRICH, Tatiana. Mapa da empatia como proposta de instrumento em estudos de usuários: aplicação realizada na biblioteca pública de Santa Catarina. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 23, n. 1, p. 107-124, dez./mar., 2018.
FEITOSA, Luiz Tadeu. O Poço da Draga, a favela e a biblioteca. Orientação: Norval Baitello Junior. 1996. 215 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação e Semiótica) – Setor de Pós-Graduação, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 1996.
FRANÇA, Juliana. Escondida na Praça Cívica, Biblioteca Pio Vargas passa despercebida aos goianienses: Edifício abriga ainda a Gibiteca Jorge Braga, o Museu da Imagem e Som e a Biblioteca Braille José Álvares de Azevedo, além do Cine Cultura. Mais Goiás. 2018. Disponível em: https://www.maisgoias.com.br/cidades/escondida-na-praca-civica-biblioteca-pio-vargas-passa-despercebida-aos-goianienses/?utm_source=chatgpt.com Acesso em: 08 jun. 2026.
