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JOAO VITOR SOUZA RODRIGUES
Reprodução: Editora Lobo

Os super heróis são um fenômeno da cultura pop, principalmente com a popularização da da Marvel no cinema. E esses personagens não são amados apenas por serem seres superpoderosos com poderes, mas porque suas histórias geram identificação com o público. Aliás, quem não quer olhar para a tela e se sentir identificado, ver um personagem, que apesar de ser super poderoso, tem os mesmo problemas que você. Nesta matéria, trataremos especificamente da historia dos superherois negros desde a criação nos quadrinhos até os dias, chegando as telonas do cinema.   

O início de tudo – anos 40 aos 60 

A historia inicial de personagens negros nas historias em quadrinhos e marcada por forte exclusão e distorção caricatural nas historias americanas. Durante a chamada Era de Ouro dos quadrinhos, o papel de personagens com ascendência africana limitava-se a papéis secundários e extremamente estereotipados, herdando traços estéticos dos espetáculos menestréis (minstrel shows) do século XIX. Essa ausência de representação refletia diretamente do racismo estrutural da sociedade americana da época, que impunha barreiras que dificultava financiamento, publicação e distribuição comercial de histórias criadas por criadores negros, assim impedindo de chegarem ao público em massa. 

Reprodução: Wikipédia

Em meio a esse cenário, em 1947 é criada a All-Negro Comics, primeira públicação escrita e desenhada exclusivamente por artistas negros. Escrita e editada pelo jornalista afro-americano Orrin Cromwell Evans, a história teve apenas uma edição, com baixa venda. O número de tiragens é desconhecido, mas se sabe que era vendida por 15 centavos, ao contrário dos quadrinhos da época, que custavam apenas 10.


Evans, o idealizador da ideia, foi o primeiro escritor negro a trabalhar em um jornal branco de grande circulação quando se juntou a equipe do Philadelphia Record. Ele era um forte defensor da igualdade racial e acreditava que os quadrinhos poderiam ser um meio de evidenciar a história do jornalismo negro. Em 1947 o jornalista se associou com Harry T. Saylor o ex-editor do Record, Bill Driscoll,o editor de esportes do Record, e a outros dois para fundar a editora da Filadélfia All-Negro Comics, Inc., com ele próprio presidindo a operação.

Ainda em 1947, a empresa publicou uma edição da All-Negro Comics contendo 48 páginas. O escritor Tom Christopher disse que Evans:

“…criou em conjunto os recursos da história em quadrinhos com os artistas, que incluíam seu irmão, George J. Evans Jr.; dois outros cartunistas da Filadélfia, um dos quais era John Terrell, o outro chamado Cooper; e um artista de Baltimore que assinava seu trabalho como Cravat. Os cartunistas provavelmente escreveram seus próprios roteiros, e houve ainda contribuições editoriais de Bill Driscoll

Um historiador cultural da época definiu que:

“[E]mbora existissem algumas imagens heroicas de negros criadas por negros, como a tira de quadrinhos Jive Gray e All-Negro Comics , essas imagens não circularam fora das comunidades negras segregadas pré – direitos civis .”  

A revista Time, em 1947, definiu a revista como “a primeira a ser desenhada por artistas negros e povoada inteiramente por personagens negros”. A revista também fez uma descrição da história principal do quadrinho, Ace Harlem, onde disse que: 

“Os vilões eram um par de assaltantes negros de terno zoot e gíria, cuja presença em quadrinhos de qualquer outra pessoa poderia ter gerado reclamações de ‘distorção’ racial. Como tudo acontecia em família, Evans achou que nenhum leitor negro se importaria.” 

O protagonista da historia Ace Harlem era o detetive de policia afro-americano, enquanto os os personagens da história Lion Man and Bubba tinham o objetivo de inspirar os negros a sentirem orgulho de sua herança africana.

Evans até tentou publicar uma segunda edição do quadrinho, mas não conseguiu comprar o material necessário. Acredita-se que ele não conseguiu por causa dos distribuidores preconceituosos e por editoras concorrentes administradas por brancos, como a Parents Magazine Press e a Fawcett Comics, que começaram a produzir seus próprios títulos sobre a temática.

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Anos depois, em dezembro 1965, é lançada a Lobo #1 (não confundir com o personagem Lobo da DC), em uma história de cinco partes, “First Signs of Trouble”; “On the Trail”; “The Brand Sticks”; “An Old ‘Friend'”; e “A Sad Ending”. Esta edição seria a primeira a trazer um personagem afro-americano como protagonista.

A historia apresenta Lobo, um cowboy negro que é acusado de matar seu patrão, então decide que fara justiça com as próprias mãos e parte em uma cruzada por justiça. Essa história em quadrinhos desafiou as normas da época, embora personagens negros não fossem totalmente ausentes nas histórias, sempre eram representados por meio de estereótipos racistas prejudiciais ou os colocavam em posições secundarias em relação ao protagonista branco. 

Publicada durante o período do Movimento dos Direitos Americanos, a primeira edição de Lobo carregava uma mensagem significativa sobre representatividade na cultura popular. Em um meio amplamente dominado por personagens brancos, Lobo oferecia algo novo. 

Apesar disso, Lobo durou apenas duas edições, muito devido ao preconceito dos varejistas e leitores da época, que acabou limitando o sucesso da obra. Mesmo assim, a obra se tornou uma representação de um primeiro passo, ainda que pequeno, em busca de uma maior diversidade narrativa nos quadrinhos. Atualmente, as duas edições de Lobo são tratadas como raridade entre colecionadores. Um exemplar com nota CGC 9.0 pode chegar a custar mais de US$ 1000.

Em entrevista ao Lab Notícias, Paulo Henrique Vasconcelos, professor de história do Instituto Federal de Goiás, e especialista em quadrinhos afirmou que esse cenário:

“Refletia bem a época, porque era uma época em que, principalmente nos Estados Unidos, o negro ainda era muito desconsiderado. Até a Segunda Guerra Mundial mesmo, pelotões negros eram colocados ali como bucha de canhão. Quadrinho mesmo que se torna mais relevante, assim, no sentido de expressão de venda mesmo, vai começar a partir dos anos 60”

O Reflexo dos Direitos Civis – anos 60 e 70

Essa era dos quadrinhos foi acompanhada pelas lutas sociais nas ruas dos Estados Unidos, marcadas pelo Movimento dos Direitos Civis e pelo Black Power. Sendo assim, após pressão pela mudança do público leitor, as grandes editoras, Marvel e DC Comics, começaram a trazer temas como racismo, desigualdade e violência urbana em suas histórias. O Professor Paulo Henrique afirma que essa época foi de mudança:

“Personagens negros começam a aparecer exatamente nessa época, porque aí você já tem ali na década de 60, principalmente por conta da Guerra do Vietnã, algumas mudanças que teve de comportamento de uma maneira geral e tudo.  Aí mulheres, negros, homossexuais começam a ter uma voz maior. Por isso que a gente já começa a ter também personagens nesse sentido.”

Pantera Negra

Reprodução: Wikipédia

Em meio a esse contexto, surgiu em julho de 1966, criado por Stan Lee e Jack Kirby e publicado pela Marvel Comics na revista número  Fantastic Four nº 52, o Pantera Negra, cuja a identidade secreta é a de T’Challa, o rei da cidade africana fictícia de Wakanda. O personagem foi o primeiro super-herói de ascendência africana criado por uma editora de quadrinhos norte-americana. 

Em sua primeira aparição, o personagem assume um papel misterioso e antagônico contra o Quarteto Fantástico. Na trama, ele convida o grupo de heróis para conhecer Wakanda. Quando eles chegam lá, o Pantera Negra começa a caçar os membros da equipe um por um e no final é revelado que aquilo não passava de um treinamento, em que ele até ali para testar suas habilidades e se preparar para um embate contra Ulysses Klaw, o homem que havia assassinado seu pai, T’Chaka.

Mesmo tendo sido criado meses antes da fundação do Partido dos Panteras Negras, a coincidência estética e nominal gerou tensões de recepção e debates calorosos. Diferente das representações da época, T’Challa não era um personagem moldado sob as carências urbanas americanas, mas era um rei e cientista de uma nação africana super avançada e tecnológica escondida do resto do mundo.

A origem do personagem foi tanto contestada por Lee quanto por Kirby, com ambos reivindicando autoria. No entanto, os dois afirmam possuir valores humanistas e inclusivos como fator que levou a criação do personagem, e não consciência social ou politica relacionada ao movimento dos direitos civis. Em entrevista a revista The Comics Journal nº 134 em fevereiro de 1990, Kirby afirmou que:

“Eu criei o Pantera Negra porque percebi que não tinha negros nas minhas histórias. Eu nunca tinha desenhado um negro. Eu precisava de um negro. De repente, descobri que tinha muitos leitores negros. Meu primeiro amigo era negro! E eu estava ignorando-os porque estava me associando com todos os outros.”

Já Lee afirmou que criou o personagem porque queria incluir mais africanos e afro-americanos em histórias da Marvel. Ele chegou a declarar que: 

“De repente, percebi que não havia super-heróis negros e senti que deveríamos ter um. Não conhecia nenhum herói negro e certamente não havia nenhum herói negro que fosse rei de seu próprio país na África. […] Ele não vivia em uma aldeia com cabanas de palha — embora fosse isso que se via na superfície. Por baixo, havia aquela cidade fantástica que ele havia criado, completamente científica e com todos os equipamentos mais modernos de todos os tipos. E percebemos que o Pantera Negra é um dos maiores cientistas do mundo — [assim como] Reed Richards . Então, novamente, eu queria ir contra [os estereótipos].”

Apesar disso, não há documentação que comprove a veracidade das alegações de nenhum dos dois autores.

No ano de 1968, o Pantera Negra se juntou oficialmente aos Vingadores na The Avengers #52, publicada em maio daquele ano. Em 1973 o personagem protagonizou sua primeira história solo na revista Jungle Action #5, e em 1977, ganhou sua primeira revista própria, Black Panther #1. Em 1994, o personagem fez sua primeira aparição em uma série animada, na animação do Quarteto Fantástico no episódio intitulado como “Prey of the Black Panther”, onde foi dublado pelo ator Keith David.

Em 2016, depois de muito tempo o personagem finalmente chega ao cinema em Capitão América Guerra Civil, e dois anos depois ganha seu primeiro filme solo. Dirigido por Ryan Coogler e estrelado por  Chadwick Boseman como Pantera Negra e Michael B. Jordan como o vilão Killmonger, o filme acabou sendo um sucesso tanto de bilheteria quanto de crítica,  arrecadando cerca de US$1,3 bilhão em todo o mundo e se fixando como um fenômeno da cultura pop.

O filme foi aclamado pela crítica especializada, destacando principalmente a performance do elenco, figurino, trilha sonora, visual, cenas de ação, roteiro e ação. O filme é considerado por muitos, um dos melhores filmes de toda a Marvel. No seu ano de lançamento, o filme foi a segunda maior bilheteria do mundo, atrás apenas de Vingadores Guerra Infinita, outra produção da Marvel que arrecadou incríveis US$ 2,0 Bilhão. O filme contou com 90% de todo o elenco composto por pessoas negras, e além disso, acabou se eternizando como um símbolo de toda comunidade negra.  

Em 2022, o personagem acabou ganhando um segundo filme, Pantera Negra: Wakanda para sempre, mas acabou não sendo tão bom quanto o primeiro, já que Chadwick Boseman acabou falecendo em decorrência de um câncer em agosto de 2020, e isso acabou afetando a produção do filme.

O surgimento de novos herois negros

Falcão, o futuro Capitão América

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Após o Surgimento do Pantera Negra, outros personagens negros foram surgindo. Em setembro de 1969, criado por Stan Lee e Gene Colan , Sam Wilson,o Falcão, chega aos quadrinhos em Captain America #117 como o primeiro super-herói afro-americano da Marvel. No cinema, o personagem é vivido por Anthony Mackie, e fez sua estreia nas telas em 2014, no filme Capitão América e o Soldado Invernal. Em 2021, durante a série Falcão e o Soldado Invernal, o personagem assim como nos quadrinhos, se tornou o Capitão América. Em fevereiro de 2025 o personagem ganhou seu primeiro filme solo sobre o manto de Capitão América, que se chama Capitão América: Admirável Mundo Novo, que acabou não indo muito bem, tanto em crítica, quanto em bilheteria.

John Stewart, o Lanterna Verde da geração que cresceu nos anos 2000

Reprodução: Fandom

Em 1971, a DC Comics lançaria seu primeiro personagem negro de sucesso, John Stewart, o novo Lanterna Verde, que muitos viriam a conhecer por meio da animação da Liga da Justiça. Em sua primeira aparição na Green Lantern #87, escrita por Dennis O’Neil e desenhada Neal Adams,  John Stewart e um arquiteto que acaba entrando para a Tropa dos Lanternas. O personagem chegaria ao seu auge no início dos anos 2000, com o lançamento das animações da Liga da Justiça, se tornando para muitos, a referência ao pensar no Lanterna Verde. Já no cinema, o Lanterna Verde acabou tendo apenas um filme e o Lanterna escolhido não foi John, e sim Hal Jordan. No fim das contas o filme foi mal recebido e não teve continuação. Agora em agosto de 2026, a DC lançará a série Lanternas, onde John, ao lado de Hal Jordan, será um dos protagonistas da série, onde será interpretado por Aaron Pierre.

Luke Cage, o representante do núcleo urbano da Marvel

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Em 1972, a Marvel lança Luke Cage, também conhecido como Power Man, herói de aluguel que atua em áreas periféricas. Criado por Archie Goodwin, George Tuska, Roy Thomas e John Romita Sr., ele foi o primeiro super-herói afro-americano da editora a ter uma revista própria. Suas histórias frequentemente abordam questões de raça e classe. Sua origem é uma crítica à brutalidade policial e ao sistema prisional norte-americano. O personagem chegou a fazer parte dos Vingadores em 2004. Já falando da TV, o personagem apareceu em animações como Vingadores: Os Super Heróis mais Poderosos da Terra e Ultimate Homem Aranha. Já no universo cinematográfico da Marvel, além de ter ganhado sua própria série própria, chamada Luke Cage, fez participações em séries como Jessica Jones e Os Defensores.

Blade, o caçador de Vampiros

Reprodução: Wikipédia

No ano seguinte, em 1973, a Marvel lança Blade, O Caçador de Vampiros. Criado por Marv Wolfman e desenhado por Gene Colan, o personagem é um híbrido entre humano e vampiro, que dedica sua vida a caçar os vampiros. Sua primeira aparição nos quadrinhos foi em The Tomb of Dracula #10 como coadjuvante. Anos mais tarde, em 1998, o personagem chega aos cinemas, interpretado por Wesley Snipes , em Blade: O Caçador de Vampiros. O filme acabou ganhando mais duas sequências, Blade 2 e Blade Trinity. Em 2019, a Marvel até chegou a anunciar um novo filme do personagem, mas desde então, nenhuma novidade foi divulgada. 

O início da representatividade feminina negra

Núbia, a primeira super heroína negra da DC

Arte de  Alitha Martinez 

Em janeiro de 1973, a DC lançava a edição 204 da Mulher Maravilha, Wonder Woman (vol. 1) # 204, em que Núbia foi apresentada, assim sendo a primeira super heroína negra da editora. Um dos seus criadores, Robert Kanigher, tinha escrito “Mulher-Maravilha” por nove anos. Ele havia saído da editora, e em sua volta, se juntou a seu parceiro Don Heck e então criaram a personagem. O título de primeira heroína negra da editora muitas vezes acaba sendo atribuído erradamente a Abelha, personagem dos Titãs que surgiu três anos após a criação de Núbia. 

Na história, Núbia é apresentada como uma guerreira misteriosa e sua identidade é ocultada. Então é revelado que a personagem é uma das gêmeas reais de Themyscira e irmã mais velha de Diana, a Mulher Maravilha, assim, sendo a verdadeira líder das Amazonas, já que é a mais velha entre as irmãs. 

Núbia acaba sendo sequestrada e criada por Ares, o Deus da Guerra,e criada bem longe dos Amazonas, fazendo Hipólita, sua mãe, acreditar que ela estava morta. Desde de cedo, ela foi treinada para ser uma guerreira implacável. Rapidamente, Núbia se tornou uma grande guerreira e superou os homens à sua volta, chegando a liderá-los. Mesmo sendo criada pelo Deus da Guerra, ela nunca quis isso, então Ares recorreu a um anel mágico para poder controlá-la.

A personagem foi até Themyscira e desafiou a Mulher Maravilha, deixando a batalha terminar empatada e provando estar no mesmo nível de poder da personagem. Naquele dia, Hipólita secretamente reconheceu que aquela era sua filha perdida. Um pouco depois, quando Ares decide atacar as Amazonas, Diana finalmente liberta Nubia do controle do vilão e as duas se juntam contra ele. Após o fim da batalha, Hipólita revela que aquela é sua filha perdida, então Núbia recupera seu título real e decide permanecer com suas irmãs na Ilha Paraíso.

A personagem chegou a aparecer em algumas edições de Superamigos, onde usa um traje inspirado na Mulher-Maravilha. A personagem ganhou uma versão alternativa, onde na Terra-23 no Universo DC, ela é apresentada como a Mulher-Maravilha daquele mundo e interage regularmente com o Superman. Na continuidade atual, a personagem é retratada como uma Amazona comum que não possui o mesmo nível de poder de Diana, mas ainda sim é retratada como uma das mais habilidosas.

A personagem nunca apareceu na TV ou no cinema, tanto em live action como em animação. Na série dos anos 70 da Mulher Maravilha, estrelado por Lynda Carter, estava tudo certo para Núbia fazer sua estreia na TV, onde seria vivida por Teresa Graves, mas a série acabou mudando de emissora e a ideia acabou sendo descartada.

Tempestade, e o começo de um sucesso

Reprodução: Wikipédia

Em maio de 1975, dois anos após o surgimento de Núbia, a Marvel lançou sua personagem feminina negra mais famosa. Criada por Len Wein e Dave Cockrum, Tempestade, nomeada como Ororo Munroe, é uma mutante com poderes de controlar o clima e fez sua estreia em Giant-Size X-Men #1. A personagem foi a segunda super-heroína negra da Marvel, lançada depois de Misty Knight, que foi criada dois meses antes.

Na sua edição de estreia, também tivemos a estreia de na equipe de mutantes, como Colossus, Noturno e Wolverine, com o intuito de trazer maior diversidade aos X-Men. Na história, os novos membros da equipe, liderados por Ciclope, vão até a Ilha de Krakoa libertar a equipe, que foi capturada pela própria ilha que é um ecossistema vivo. Eles conseguem vencer após Tempestade combinar seus poderes com Solaris, outro personagem que entregava a equipe, e mandarem a ilha para o espaço.

Ela foi uma das personagens mais famosas nos anos 80, quando os X-Men eram a equipe que mais vendia quadrinhos da editora nos Estados Unidos. Ororo é filha de uma princesa do Quénia e de um jornalista afro-americano. Criada no Harlem, em Nova York, e no Cairo, no Egito, virou órfã após seus pais morrerem devido a um acidente de avião. Tal acontecimento a deixaria claustrofóbica. Ela cresceria sob a tutela de um mestre ladrão, e se tornaria uma habilidosa ladra. Então, por obra do destino, Ororo conhece Charles Xavier, o Professor X, que a convence a entrar para os X-Men.

Mais tarde, ela se tornaria líder do X-Men, se tornando a primeira líder negra de uma equipe, além de ter sido a primeira personagem feminina a conseguir tal feito na editora. Ela também fez parte dos Vingadores e do Quarteto Fantástico. Mais tarde, se casou com o Pantera Negra, assim formando o maior casal negro dos quadinhos.

A personagem apareceu em diversas animações dos mutantes, como X-Men: Animated Series e X-Men Evolution, que muito provavelmente é a série dos mutantes mais popular no Brasil, principalmente por ter sido reproduzida por vários anos na TV aberta, no SBT.

No cinema, a personagem foi interpretada por Halle Berry em quatro filmes dos X-Men, a trilogia original e X-Men Dias de um Futuro Esquecido. Mais tarde, Alexandra Shipp assumiria o papel, fazendo uma tempestade mais jovem em X-Men: Apocalipse e  X-Men: Fênix Negra, além de uma breve participação em Deadpool 2.

Caso tenha interesse, clique aqui e veja um ranking com todos os filmes dos X-Men, com a sinopse e crítica dos filme.

Raio Negro e a febre dos herois negros com poderes eletricos

Reprodução: DC database Fandom

Vendo o sucesso de sua concorrente em criar herois negros, nos anos 70, a DC decidiu criar um super-heroi negro que as pessoas pudessem se identificar, então nasceu uma das ideias mais inacreditaveis e bizarras da historias da editora: Black Bomber, um homem branco e racista que se transformaria em um heroi negro toda vez que ficasse estressado.

A ideia foi descartada após Jenny Blake Isabella mostrar o quão bizarro era a ideia apresentada a editora, então ela acabou sugerindo outra a ideia, que viria a ser a criação de Jefferson Michael Pierce, o Raio Negro, não confundir com o personagem de mesmo nome da Marvel. Em abril de 1977, Jenny, em parceria com  Trevor Von Eeden, viam seu personagem fazer sua estreia em Black Lightning #1 .

Embora sua história de origem tenha sofrido variações com o tempo, o personagem é geralmente retratado como um professor com  poderes meta humanos que vive em Metrópolis, cidade onde se passam as histórias do Superman, e que usa seus poderes elétricos para defender a comunidade.

Apesar de não ser o primeiro herói afro-americano da editora, Raio Negro foi o primeiro a ter sua própria série de quadrinhos. Com o tempo, o personagem se popularizou, mas não poderia ser usado em produções para a TV, já que havia conflitos de interesse com a criadora do personagem.

Como a DC não poderia usar o personagem nas animações, então toda vez que a editora tinha vontade de usá-ló, simplesmente criavam um novo personagem, praticamente igual e colocam outro nome. Um desses casos,  foi a criação do Vulção Negro, personagem que apareceu na animação dos Superamigos.

A popularidade do herói também influenciou outros artistas, o Super-Choque, que até então era da Milestone, acabou sendo outro que possuía poderes elétricos. Mais tarde o personagem acabou entrando para o universo DC, assim sendo mais um heroi negro com poderes eletricos da editora.

Mais tarde, o personagem apareceu em animações como Justiça Jovem. O personagem chegou a ganhar uma série live-action na CW, interpretado por Cress Williams, mas não apareceria nas outras séries live action da DC, já pensando em evitar possíveis imbróglios com o criador do personagem.  

Os novos rostos dos anos 2000

Super Choque e as pautas sociais

Reprodução: AdoroCinema

Em junho de 1993, a Milestone Comics, por meio da DC Comics, publicava Static # 1, história em que o Virgil Hawkins, o Super Choque, fez sua primeira vez. O personagem foi criado por Dwayne McDuffie, em colaboração com John Paul Leon e Denys Cowan.

Mesmo sendo publicado com o selo da DC, o Super Choque não integrava seu universo de histórias e possuía um mundo próprio, que era o mundo da Milestone. Dwayne, um dos seus criadores, descreveu o personagem:

“Como qualquer outro garoto desajeitado de 15 anos, Virgil Hawkins se preocupa com garotas, dinheiro, e é constantemente provocado por seus colegas de classe. Mas, recentemente, ele tem ainda mais coisas com o que se preocupar como os seus super-poderes, a sua identidade secreta, e os seus inimigos. Porque, quando inocentes estão em perigo, ele dá um jeito de fugir da sala de aula, então o jovem Virgil se torna Super Choque!” 

Com a virada do século, o personagem finalmente chegou à TV. No dia 23 de setembro de 2000, produzida pela Warner Bros. Television é transmitida no canal estadunidense The WB, estreava Super Choque, a série animada. Dwayne participou da criação da animação, assim mantendo o controle sobre o personagem, chegando a escrever diversos episódios.

A série começa de forma similar aos quadrinhos, onde Virgil acaba ganhando seus poderes quando um gás é solto em uma briga de gangues após interferência da polícia, mas ela possui um diferencial chave, diferentemente da sua história original, aqui o personagem está incluído dentro do universo da DC, se passando no mesmo mundo da animação da Liga da Justiça, onde o próprio Dwayne participou da produção.  

A série trouxe vários crossovers com personagens com os personagens da série animada da liga da justiça, e ainda foi além, com até o ex-astro do basquete, Shaquille O’Neal, fazendo uma participação na série no episódio quatro da segunda temporada, nomeado de “Static Shaq”. Além do mais, a série sempre tratou de temas sérios, como racismo, desigualdade social, armas de fogo, entre outros. Um dos exemplos mais famosos é o episódio oito da primeira temporada, Filhos dos Pais, onde Virgil sofre racismo do pai de seu melhor amigo, Richie.

Caso esteja interessado em saber mais, clique aqui para acessar uma lista com os episodios mais marcantes da série.


Após o sucesso da série, principalmente no Brasil, onde foi exibida pelo SBT na TV aberta, e pela Cartoon Network, na TV por assinatura, o personagem começou a aparecer mais vezes, como na própria animação da Liga da Justiça, já citada antes, e na animação Justiça Jovem. Sua popularização fez com que os fãs ficassem na espera pelo próximo passo, que séria sua ida para o cinema, mas não aconteceu até hoje. A DC possui o direito de distribuição do personagem, mas para usá-lo, precisa da autorização da Milestone. Com a morte de Dwayne McDuffie, o principal criador do personagem, a utilização do Super Choque no Universo Cinematográfico da DC acabou ficando mais complicado.

Miles Morales é o infinito de possibilidades 

Reprodução: Marvel Fandom

Em agosto de 2011, em meio a uma era em que fãs se degladavam por causa de mudanças de etnia de seu personagens favoristo, a Marvel lançava Miles Morales, um adolescente negro com ascendencia hispanica que agora se tornaria o Homem Aranha.

A ideia surgiu após, em 2008, o ex-presidente americano, Barack Obama, levantar a hipótese de se fazer uma versão negra do personagem mais popular da editora, é possivelmente mais popular de toda a cultura pop, o Homem-Aranha. Então em 2011, após os escritores matarem Piter Parker, o Homem Aranha original no Universo Ultimate, uma linha alternativa da Marvel, foi decidido que Miles seria o seu sucessor naquela continuidade.

A recepção foi mista, Stan Lee, o criador do Homem-Aranha, chegou a afirmar que gostou da ideia, enquanto outros reclamam da troca, afirmando ter sido feita por motivações políticas.

Não demorou muito para o personagem ir para as telas, no dia 19 de setembro de 2014 o personagem faz sua estreia na animação Ultimate Homem-Aranha, onde aparece no episódio 11 da terceira temporada, intitulado “O Aranhaverso: Parte três”. Em sua primeira aparição, o personagem é retratado como um Homem-Aranha de um universo alternativo ao principal, na temporada seguinte da série, ele seria integrado ao núcleo principal.

Assim como na série, após a popularização do personagem, ele também seria levado para o universo principal dos quadrinhos da editora, assim fazendo com que exista dois Homens-Aranha ao mesmo tempo.

O personagem também chegou aos games, após participar da série de jogos do Homem-Aranha da Insomniac,o Marvel’s Spider-Man, e acabou ganhando seu próprio jogo, Marvel’s Spider-Man: Miles Morales.

Em dezembro de 2018 e começo de 2019, o personagem foi além, chegou aos cinemas com a animação Homem-Aranha no Aranhaverso, onde trazia uma história de multiverso onde Miles era o personagem principal. A animação foi um sucesso e gerou uma continuação, lançada em 2 de junho de 2023, Homem-Aranha: Através do Aranhaverso foi mais além, porque além de outro ótimo filme, apresentou um mundo em que não existe impossível, onde o Homem-Aranha chega ao seu ápice do conceito da inclusão, onde você não tem apenas um Homem-Aranha branco, negro ou uma mulher aranha, mas voce tem carro-aranha, dinossauros-aranha, o filme mostra todo o tipo de versão do heroi que você consiga imaginar e abraça a diversidade. 

Próximas produções de herois negros

Em 2027, a Sony em parceria com a Marvel, lançará o terceiro filme animado de Miles Morales no cinema, Homem-Aranha: Além do Aranhaverso, que está previsto para o dia 18 de junho, encerrando a jornada do herói com chave de ouro. Quanto a uma versão live action do personagem, existem rumores que o personagem faça sua estreia nos próximos anos.

Ainda na Marvel, a empresa chegou a anunciar um filme do Blade, com Mahershala Ali , além de uma série que depois foi mudada para filme, chamada de Armor Wars , que teria o Máquina de Combate, interpretado por Don Cheadle, como personagem principal. Acabou que as duas produções sofreram adiamentos e não se sabe se ainda serão lançadas. 

Existem rumores que a proxima produção de um superheroi negro da empresa seja Pantera Negra 3, onde um novo ator assumiria o papel, já que Chadwick Boseman, iconico interprete do personagem, acabou falencendo em 2020 em decorrencia de um câncer.

Agora pelo lado da DC, em agosto deste ano será lançado Lanternas, série onde trará John Stewart como um dos personagens principais. James Gunn, chefe da DC no cinema, confirmou que está em desenvolvimento uma série da personagem Amanda Waller, com Viola Davis, que ainda não tem data de lançamento.

Gunn também anunciou que um filme dos Jovens Titãs, onde o Ciborgue seria um dos personagens principais, está em desenvolvimento e já possui roteirista. Houveram rumores de que a Warner e a DC estavam produzindo um filme de uma versão alternativa do Superman, onde o personagem seria negro, mas nada oficial. 

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