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Segundo dados da Secretaria de Estado da Educação (SEDUC) mais de cinco mil estudantes entre o 3º e 9º ano do ensino fundamental não estavam alfabetizados em 2019, diante disso o Governo estadual por meio da SEDUC lançou o Programa AlfaMais. O programa tem por objetivo chamar atenção para a importância do compromisso conjunto para que todas as crianças do território goiano tenham assegurado o direito de ser alfabetizado, que, segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), se dá nos 1º e 2º anos do ensino fundamental.

Segundo a Superintendente de Educação Infantil e do Ensino Fundamental, Gisele Faria, o programa possui diversas frentes, voltado para a formação de professores e gestores da educação com equipes estaduais, regionais e municipais, além da entrega de material didático específico para os estudantes do 1º e 2º Ano do Fundamental.

Mapa de Avaliação. Fonte: Microdados do Saeb/Ana 2016/Inep. Elaborado pela ABC/PARC.

Após a execução do Programa, os números de estudantes alfabetizados obtiveram melhora no estado, conforme mostra o gráfico a seguir.

Gráfico das taxas de proficiência. Fonte: CAEd/UFJF. Produção: Associação Bem Comum.

Em pesquisa ao site da Saego, o LabNotícias não conseguiu acessar os resultados para verificar os dados informados pela Secretaria de Estado da Educação, por falta de acesso. Em contato por e-mail, solicitamos o acesso e não obtivemos respostas até o fechamento desta matéria.

Números no Brasil

Conforme pesquisa divulgada recentemente pelo Ministério da Educação (MEC), mais da metade das crianças do Brasil não estavam alfabetizadas no 2º Ano do Ensino Fundamental em 2021. A pesquisa, intitulada como “Alfabetiza Brasil” tem como objetivo estabelecer diretrizes para uma política nacional de avaliação da alfabetização das crianças.

Organizada por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) juntamente com o MEC, o levantamento contou com duas fases. A primeira com consulta às professoras alfabetizadoras de cinco capitais-sede, uma por região do País: Belém (PA), Recife (PE), Brasília (DF), São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS), realizada entre os dias 15 e 23 de Abril. Já na segunda fase, os resultados foram analisados por um painel de especialistas (gestores públicos da educação e outros), durante os dias 22 e 23 de Maio.

Resultados

Segundo a pesquisa, a definição de estudante alfabetizado seria: “Os estudantes estão alfabéticos. Leem pequenos textos, formados por períodos curtos e localizam informações na superfície textual. Produzem inferências básicas com base na articulação entre texto verbal e não verbal, como em tirinhas e histórias em quadrinhos”.

Escrevem, ainda, com desvios ortográficos, textos que circulam na vida cotidiana para fins de uma comunicação simples: convidar, lembrar algo, por exemplo. Os estudantes são leitores/escritores iniciantes, que interagem de forma mais autônoma principalmente com textos que circulam na vida cotidiana e no campo artístico literário, em práticas de leitura e de escrita características do letramento escolar”.

Com isso, o INEP utilizou como método as últimas provas do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) de 2019 e 2021 para avaliar a distribuição dos estudantes pelos padrões definidos:

Gráfico da Avaliação Alfabetiza Brasil. Fonte: Inep/Saeb 2019 e 2021.

Desafios

Como consequência da criação do Programa AlfaMais em Goiás, os números de crianças alfabetizadas cresceram no estado, contudo ainda há desafios a se enfrentar, como explica a Superintendente:

Superar a desigualdade nas aprendizagens, nós temos municípios que tem crianças com muita dificuldade de frequentar a escola e de aprender. Os municípios também com uma boa condição financeira, a gente quer dar apoio para superar essa desigualdade e não ter nenhuma porcentagem de estudante no vermelho. Além de boas tecnologias de alfabetização, onde todos os alunos consigam aprender, com professores em sala de aula e alunos dentro das escolas, tudo isso é um desafio para a gente conseguir superar essa taxa.

Gisele Faria, Superintendente de Educação Infantil e do Ensino Fundamental.

Já a professora da rede municipal de educação de Goiânia, Stéphany Khatariny, conta que o processo de alfabetização é diferente em escolas particulares e públicas: “Quando se trata de instituições públicas existe um respeito pela criança muito maior pela etapa educacional em que ela se encontra. É realmente importante que a gente respeite o processo da criança, no sentido até de coordenação motora”.

Stéphany, que tem vasta experiência na alfabetização de crianças, ainda acrescenta sobre as instituições privadas:

Em contrapartida eu já tenho muitos críticas em relação às escolas particulares, porque normalmente a criança com 6 anos já está alfabetizada em todas as etapas há muito tempo. Quando o aluno não consegue, ele se sente atrasado e culpado, então por isso que existe uma demanda das escolas particulares para que a alfabetização aconteça antes. O que acaba atrapalhando totalmente o processo e forçando a criança para atividades mecânicas, sem que ela possa aprender realmente.

Stéphany Khatariny, professora e pedagoga.

Além disso, a professora acrescenta sobre as dificuldades encontradas no dia a dia da alfabetização de crianças: “essa fase de alfabetização deve acontecer muito em conjunto com as etapas de crescimento da criança. O aprendizado também faz muito parte do processo de como ela teve a educação infantil, se houve respeito, agora se esse processo não for respeitado a criança vai ter dificuldades na alfabetização, é claro. Os pais eles precisam fazer leitura de livros com as crianças, proporcionar brincadeiras que a criança desenvolva a sua criatividade e imaginação. É nessas leituras de mundo que devem acontecer dentro da escola, mas também com os pais que as crianças começam a entender os símbolos e os signos. Além de serem apresentados para elas e em seguida entra a questão do significado”.

Quanto à questão de ações efetivas para melhorar ainda mais os números de alfabetização, a professora conclui:

Quando se trata de alfabetização, a professora não pode estar sozinha dentro da sala de aula. Ela precisa sim de um auxiliar, além de diminuir a quantidade de crianças dentro da sala de aula. A gente está tendo que lidar também com a sala de aula lotada, precisa de materiais didáticos como: tinta, lápis de cor, giz de cera e canetinha. Se a escola não tem uma estrutura que possibilite a criança de brincar então que seja possível a criança fazer passeios para que ela tenha contato com terra, areia, pedras e gravetos, tudo isso vai enriquecer a vivência da criança e fazer com que ela consiga aprender melhor.

Stéphany Khatariny, professora e pedagoga.

Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2023

A próxima avaliação para conferir os números de Alfabetização no Brasil irá acontecer entre os dias 23 de outubro e 10 de novembro em todas as unidades da Federação. Realizado desde 1990, o Sistema de Avaliação da Educação Básica é uma avaliação em larga escala que oferece subsídios para a elaboração, o monitoramento e o aprimoramento de políticas educacionais.

One thought on “Programa AlfaMais aumenta número de crianças Alfabetizadas no estado de Goiás”

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