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Setores nobres da cidade apresentam parques com  diferencial de infraestrutura para acomodar a população

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Parque Vaca Brava, Setor Bueno, 12 de abril de 2026. Foto: Raniê Solarevisky – BIGOD/UFG

Os parques, espalhados nas mais variadas regiões da cidade de Goiânia, configuram-se em espaços destinados à população, que os usufrui como forma de atividade de lazer, garantindo trocas humanas, que se fazem essenciais para a construção do senso de coletividade. 

Um levantamento feito em 2025 pelo Observatório de Turismo de Goiânia, vinculado a Agência Municipal de Turismo e Eventos (Goiânia Tour), mostra que quase 86% dos entrevistados avaliaram que tiveram boas ou ótimas experiências nos parques Lago das Rosas, Areião, Flamboyant e Vaca Brava. Os parques citados são os principais da cidade, consequentemente por estarem nos setores nobres da capital.  

A geógrafa Yohanna Mendes afirma que há muitos benefícios na constituição da infraestrutura dos parques no meio metropolitano: “Existem estudos que associam a proximidade de áreas verdes com a manutenção da saúde mental da população em grandes centros urbanos como Goiânia. Os parques públicos são áreas que servem de integração social entre vizinhos e moradores dos bairros próximos”, diz.

Além disso, ela afirma também que os parques urbanos têm papel fundamental de diminuir o escoamento superficial provocado pela impermeabilização do solo sendo pontos de recarga do lençol freático e diminuindo o risco de alagamentos e enchentes.  De acordo com o  Sistema Nacional de Informações de Abastecimento (Snis), os parques urbanos permitem a infiltração de até 90% do volume de águas das chuvas, assim, funcionando como barreira de proteção da infraestrutura urbana da cidade.

Parque Vaca Brava, Setor Bueno, 13 de abril de 2026. Vídeo: Raniê Solarevisky – BIGOD/UFG

No Plano Plurianual (PPA 2026 – 2029), sancionado pelo atual prefeito Sandro Mabel, há uma previsão de redução aos investimentos de parques em 80%. Isso quer dizer que o valor total cai de R$ 209,2 milhões no antigo PPA, para R$ 43,6 milhões no novo plano. Essa redução no investimento pode trazer prejuízos diretos ao conforto e à segurança dos moradores de Goiânia, principalmente para pessoas que frequentam parques pouco conhecidos, que recebem menos atenção e investimentos.

No momento atual, percebe-se a disparidade nos investimentos nos parques de setores nobres e setores periféricos da cidade. O músico Lucas Radí compartilha sua experiência como um dos frequentadores de parques. “Acredito que as pessoas buscam alternativas de passeios e os parques, por serem gratuitos, se tornam uma ótima possibilidade”, afirma. 

Ainda na entrevista, o músico declara: “É possível perceber uma grande diferença quando comparamos o estado de conservação dos parques de áreas mais afastadas de Goiânia, com os parques pertencentes às regiões periféricas. O Parque Areião, até poucos dias estava bem descuidado. Por outro lado, o Parque Vaca Brava está sempre bem cuidado e com policiamento, já que fica ao lado do Goiânia Shopping”.

Parque Vaca Brava, Setor Bueno, 13 de abril de 2026. Vídeo: Raniê Solarevisky – BIGOD/UFG

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Parque Fonte Nova, Goiânia. Foto: Jucimar de Sousa

No caso de Goiânia, que sofre com a perda de habitats por conta do processo de urbanização, os parques urbanos precisam ser valorizados por servirem também como corredores ecológicos para a fauna.  Segundo o Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU) da capital, a criação de conexões entre esses parques é uma forma de garantir a sobrevivência da fauna local, evitando o isolamento biológico e permitindo que espécies nativas transitem com segurança. 

A manutenção dos parques acaba se tornando uma condição central para que as pessoas aproveitem seus momentos de lazer nessas áreas. “Os parques podem ser vistos sim como democratização do lazer, mas quando são estabelecidos também nas áreas periféricas da cidade. Existe uma grande concentração de parques em bairros de classe média alta em Goiânia, de maneira que os moradores das regiões mais afastadas e de baixa renda da cidade não recebem equipamentos que deveriam ser de amplo acesso para todos.”, finaliza Yohanna.  

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