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Com a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2019, os protestos e a maior adesão dos torcedores, a modalidade vem evoluindo de forma crescente. Maior público, maior alcance e redes de transmissão evidenciam como o esporte vem ganhando seu espaço a cada dia.
“Recentemente, a FIFA aumentou a premiação da Copa do Mundo Feminina para quase três vezes o valor da última edição do torneio. Algo que também chama a atenção é a quebra de recorde de público em estádios tradicionais europeus, como Camp Nou e Wembley, em jogos do futebol feminino. É perceptível o alto potencial de rentabilidade socioeconômica da modalidade”, disse Fernanda Paiva, estudante de Economia.
O relatório da FIFA de Benchmarking do Futebol Feminino de 2022 buscou analisar quatro principais cenários dentro do futebol feminino mundial. Assim, por meio de 30 ligas de elite e 294 clubes, a organização avaliou a realidade do jogo em áreas-chave: redes esportivas, governança, cenário financeiro e envolvimento das atletas. Isso a fim de traçar estratégias que aumentem o valor comercial e fomentem o consumo da modalidade.

“Para impulsionar ainda mais o crescimento e em linha com a nossa visão de tornar o futebol verdadeiramente global, definimos uma estratégia dedicada com foco em quatro áreas principais destinadas a reformar as competições, aumentar o valor comercial, modernizar os programas de desenvolvimento e aumentar a profissionalização. Nosso objetivo é trazer o futebol feminino para o ‘mainstream’, garantindo que existam oportunidades no futebol para meninas e mulheres em todo o mundo – dentro e fora do campo.”, garante Gianni Infantino, presidente da FIFA.

Copa do Mundo Feminina, Seleção Brasileira e premiação
Neste ano, acontece o Mundial de Futebol Feminino entre as Seleções. Com isso, entre os dias 20 de julho e 20 de agosto, 32 países — maior número na competição — entram em busca do maior título da modalidade. Inicialmente, a competição é dividida em oito grupos de quatro países cada. Desses grupos, os dois primeiros classificados avançam para o mata-mata.
Por sua vez, o Brasil estreia no dia 24 de julho contra o Panamá, às 8h no horário de Brasília. A Seleção já está na Austrália em treinamento e finalizou a preparação em solo brasileiro com a presença da torcida, contra o Chile no último domingo (2). A partida contou com um público de 15.892 pessoas e acabou em vitória brasileira: 4 x 0.
A saber, no último ano, o futebol feminino brasileiro bateu o recorde de 41.070 pessoas na final do Brasileirão Feminino entre Internacional x Corinthians. Em suma, o número evidencia o desenvolvimento progressivo da modalidade e acaba representando em microescala o exposto pela FIFA no relatório:
“A temporada 2021/22 foi um ano recorde de público feminino no futebol. Internacionalmente, foram vendidos 500.000 ingressos para o UEFA Women’s EURO 2022 na Inglaterra, mais que o dobro do torneio de 2017 na Holanda. No nível da liga, a Liga Nacional de Futebol Feminino dos EUA alcançou um público máximo de mais de 27.000 em 2022 e o Campeonato Feminino de Primera División Caja Los Andes do Chile vendeu 12.000 ingressos para sua final em 2021. O futuro parece igualmente positivo, com grandes eventos futuros, notavelmente a Copa do Mundo Feminina da FIFA Austrália e Nova Zelândia 2023 do ano que vem, proporcionando maior exposição e dando às partes interessadas do jogo uma plataforma maior para aumentar o envolvimento com os fãs.”

Antiga e nova geração em campo!
Na ação promovida no amistoso, as jogadoras entraram com a mensagem “Elas jogaram por nós para jogarmos pelas que virão”. O registro evidencia o caminho de desenvolvimento do futebol feminino e, assim como a rainha Marta deixou como pedido às novas gerações em entrevista na Copa de 2019, “o futebol feminino depende de vocês [nova geração] para sobreviver.”
Com isso, vem à tona a importância do incentivo desde a base. Segundo o relatório FIFA entre as ligas e clubes analisados no futebol mundial, o investimento em academias e outras estruturas pode fornecer um canal para a geração de talentos do futebol feminino. “No geral, 84% dos clubes tinham uma academia de juniores (contra 83% no ano anterior, para clubes que estiveram presentes nas duas edições do relatório), e foi positivo ver que 76% de todos os clubes tinham uma academia de juniores com meninas incluídas (em comparação com 71% anteriormente).”

Os números refletem o comparativo entre o que era, é e ainda pode ser o futebol feminino, sobretudo pensando no Brasil, já que a modalidade foi proibida aqui no passado. Enquanto o país do futebol já havia conquistado três Copas do Mundo no masculino e era o maior vencedor da competição (como segue sendo, com cinco títulos), sem estímulo e regulamentação, o futebol feminino estava “nascendo” de fato. Em 1983, a modalidade foi regulamentada e era o início de competições, calendário e torcida.
“Eu acompanhei de perto a luta das jogadoras para serem reconhecidas, valorizadas e ganharem seu espaço. Elas buscavam igualdade em um cenário de futebol muito machista; eu venho da época da Formiga, da Kátia Cilene. Eram atletas que jogavam muito por amor, porque não tinha reconhecimento nenhum. Não existia reconhecimento financeiro e a geração da Marta veio pra tentar mudar esse cenário. Ela tem grande importância na Seleção Brasileira também pelos protestos nos jogos.” Disse Marielly Mota, professora de educação física e fã de futebol feminino.
– O futebol feminino vem ganhando espaço, vem crescendo. Olhando pro passado, vemos como já evoluiu. Pude acompanhar o amistoso de preparação para a Copa do Mundo e ver quantas pessoas estavam naquele estádio torcendo pelas meninas do Brasil. Foi um orgulho muito grande poder fazer parte e ver que tem muitas famílias torcendo. Concluiu Marielly.
Transmissão das partidas e Copa do Mundo de Futebol Feminino
Em resumo e como constatado no relatório, ao contrário de muitas ligas masculinas profissionais, a receita de transmissão não é o principal impulsionador da receita no jogo feminino, com o esporte ainda em fase de desenvolvimento em relação às suas ofertas de transmissão.
Segundo a FIFA, a maior receita média de transmissão foi alcançada pelas ligas que declararam ter negociado seu acordo apenas para a liga feminina, com uma média de US $ 693.000 em 2020/21 (ou 2021), seguidas por outras competições, incluindo a liga masculina de futebol, com uma média de USD 93.000.

“É evidente que inicialmente deve ocorrer investimentos significativos para que o esporte seja minimamente atraente para o público consumir. A Copa do Mundo de 2019 mostrou que mesmo com o mínimo de incentivo, o futebol feminino brasileiro ainda é um dos mais competitivos mundialmente. Foi aberta a fronteira de possibilidade de investimento e rentabilidade que essa modalidade feminina pode fornecer, quando devidamente incentivada, para os clubes brasileiros.” Concluiu Fernanda.
Pensando na Copa do Mundo, o Grupo Globo transmitirá em TV aberta os jogos da Seleção Brasileira. Será a segunda transmissão em rede livre do torneio (a primeira foi em 2019). Com isso, é nítida a crescente valorização da modalidade, ainda que longe do cenário ideal. Além da Globo, a CazéTV transmitirá todos os jogos da Copa do Mundo Feminina de forma gratuita, pelo Youtube. “Sim, todos. Os 64 jogos, ao vivo, de graça e com imagens!”, garantiu a conta oficial da CazéTV no Twitter.
“O futebol feminino sofreu muito preconceito. Hoje em dia, vemos quantas meninas e mulheres desenvolvem e consomem essa prática. Eu sou professora de educação física e percebo como mudou esse cenário. Tenho muitas alunas que buscam o futebol como esporte; antes, quando você falava que a aula era de futebol, os meninos se interessavam mais. Com o passar dos anos, você fala e as meninas querem ir atrás, querem jogar. Esse meio está mudando e nós estamos na busca por incentivar também as meninas que gostam.” Finalizou Marielly Mota.

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