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O uso de placas solares deixou de ser uma tendência distante para se tornar uma realidade consolidada no Brasil. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, atualmente o Brasil conta com mais de 18 mil empreendimentos instalados em território nacional. Além disso, o ministério também afirma que o país tem intenções de realizar projetos voltados para energia solar até 2032, com investimentos de mais de R$115 bilhões nos próximos anos.

Nas residências, o impacto é visível, em bairros urbanos, telhados cobertos por painéis deixaram de ser exceção. Em zonas rurais, a tecnologia permite que propriedades reduzam custos e ampliem a autonomia energética. No setor empresarial, tornou-se estratégia de sobrevivência e competitividade, especialmente em indústrias que consomem grandes volumes de energia.

Placa solar Trindade
Placa Solar em Trindade, 5 de out de 2025. Foto: Rafaela Martins

Por que investir em placas solares?

Nos últimos anos, o país passou por um crescimento acelerado da geração fotovoltaica, residências, pequenos negócios e até grandes empresas têm adotado sistemas solares. O aumento no número de sistemas fotovoltaicos instalados é resultado de uma combinação de fatores: crise energética, tarifas elevadas, incentivos ao consumo sustentável e maior oferta de crédito. Isso também ocorre por essa fonte ser uma energia renovável, ou seja, inesgotável, trazendo benefícios ao meio ambiente.

Segundo Genivaldo Martins, dono da empresa Solar Fotovoltaica, localizada na cidade de Trindade, em Goiás:

A energia solar hoje é uma fonte limpa, renovável, sem ruídos e não há desgaste de peças motrizes para sua geração durante o dia, ou seja, momento esse em que tem incidência solar. Durante a noite, ainda é inevitável a necessidade das fontes de energias tradicionais, fazendo com que ainda seja necessário ligar termousinas emissoras de poluentes de gases.
No entanto, essa onda de veículos elétricos que está adentrando o planeta, faz com que reduza drasticamente a emissão de poluentes, pois esses carros elétricos diminuem o consumo de combustíveis fósseis. Porém, há uma deficiência energética global, pois ainda não temos redes e centrais elétricas preparadas para abastecer todos os veículos elétricos que estão por vir nos próximos anos. Portanto, a energia solar será uma das soluções para essa deficiência diurna.

Assim, apesar dessa fonte ainda não suprir o abastecimento de energia por 24h, ela ainda ajuda a diminuir a dependência de fontes poluentes, como termelétricas a carvão ou óleo diesel; contribui diretamente para metas internacionais de descarbonização e contribui para a redução da emissão de gases de efeito estufa e os impactos das mudanças climáticas.

Além disso, muitas pessoas ainda optam pela instalação de energia solar por poder ser gerada em residências, estabelecimentos comerciais, indústrias ou propriedades rurais, de forma simples e eficiente, permitindo uma economia de até 90% do valor da conta de luz, visto que a energia solar é gratuita. Esse é o caso de Ricardo Martins de Oliveira, morador da cidade de Trindade, Goiás, que há um ano decidiu instalar essa fonte em sua residência:

Eu e minha esposa Raquel, decidimos colocar energia solar aqui em casa mais em questão do custo-benefício. Pois aqui temos uma mini confecção, com máquinas de costura que ficam ligadas o dia todo, além de termos dois ares-condicionados, que com o clima extremamente quente nos dias atuais, também ficam ligados com uma certa frequência, o que se torna um gasto a mais. Então analisando esses gastos, vimos que compensaria instalar essas placas solares, pois o custo-benefício seria maior.

Consumidores que instalaram o sistema sentem um maior alívio financeiro e maior estabilidade nos gastos mensais. Muitos destacam que o valor da parcela do financiamento é inferior ao da antiga conta de energia — ou seja, é possível economizar desde o primeiro mês sem desembolso inicial significativo.

Além disso, essa fonte de energia não auxilia apenas residências, mas também se tornou uma aliada de grandes empresas de médio e grande porte, na qual a economia anual pode chegar a dezenas ou até centenas de milhares de reais. Em um país onde o custo energético pesa diretamente na composição de preços, a energia solar tornou-se também uma ferramenta de competitividade.

Malefícios e limitações do uso das placas solares

Apesar dessa fonte de energia trazer benefícios tanto para os consumidores economicamente, quanto para o meio ambiente, em relação a emissão de gases de efeito estufa, é de se pensar também os malefícios por trás do seu uso.

Com a grande propagação do uso das placas solares, grandes empresas estão aderindo essa fonte, e o número de placas solares aumenta conforme a necessidade daquele local, ou seja, quanto maior a demanda de energia, mais placas serão utilizadas. Esse é o caso das usinas de geração centralizada, que produzem eletricidade em larga escala em um único local, ocupando, muitas vezes, diversos hectares de terra.

Em 2020, na propriedade do grupo Di Roma, localizado em Caldas Novas, foi inaugurada a maior usina solar em perímetro urbano do país. Nesse complexo aquático, foi instalado um sistema capaz de abastecer 4.256 casas com energia solar, ocupando um espaço de 75 mil metros quadrados reservado para esses módulos fotovoltaicos.

Placas solares em Caldas Novas
Entrada de Caldas Novas, 26 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky – BIGOD/UFG

A construção desse tipo de usina pode causar danos aos ecossistemas presentes na área. Os principais danos são em relação às vegetações, que ficam comprometidas com a terraplanagem realizada, com o desmatamento e com o sombreamento gerado pelos módulos solares. Além disso, Os animais que estão no local também podem estar em risco, já que acidentes podem acontecer ao abrir espaço para a construção das usinas. A alimentação desses animais também fica prejudicada devido às mudanças de padrões, e a vegetação que serve de alimento para eles pode ficar mais escassa devido à construção.

Apesar da energia solar ser limpa na fase de operação, a cadeia produtiva das placas ainda gera impacto ambiental significativo. A fabricação desses módulos fotovoltaicos utiliza silício purificado, vidro especial, metais raros como prata, cobre e alumínio, materiais que dependem de mineração e de processos industriais com consumo elevado de energia — muitas vezes proveniente de combustíveis fósseis, ou seja, não é uma cadeia totalmente limpa.

Não somente a sua fabricação, mas também o seu descarte deve ser feito de maneira adequada. Embora os painéis tenham vida útil entre 25 a 30 anos, o volume de equipamentos que chegarão ao fim do ciclo nas próximas décadas será significativo. Na maioria das vezes esse descarte não é feito em lugares adequados, como em empresas especializadas em reciclagem de resíduos eletroeletrônicos, sendo deixadas em locais de maior vulnerabilidade ambiental. As placas solares são formadas por componentes que podem contaminar o meio ambiente, se descartadas sem tratamento – desmontagem, processamento e reaproveitamento – podem gerar resíduos eletrônicos, contaminando solo e água.

Crescimento acelerado

À medida que o país bate sucessivos recordes de adesão, a energia solar passa a ocupar um espaço antes restrito a poucos, tornando-se um recurso acessível, competitivo e parte do cotidiano de milhões de brasileiros. Apesar de ser necessárias algumas mudanças em relação a sua instalação e descarte, ainda é uma forma de reduzir custos para moradores e diminuir o impacto ambiental que outras fontes não renováveis de energia trazem. Assim, se esse ritmo continuar, essa forma de gerar energia se consolidará como peça-chave na matriz elétrica nacional, que redefine a forma como casas e empresas se projetam para o futuro.

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