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Pedro Paulo Lemes

A Universidade Federal de Goiás (UFG) é uma das maiores instituições públicas de ensino superior do Centro-Oeste brasileiro. Fundada em 1960, a universidade conta atualmente com mais de 22 mil estudantes matriculados e mais de 100 cursos de graduação, distribuídos em diversas partes do estado.

Em Goiânia, o Campus Samambaia — o maior da instituição — concentra parte significativa dessa estrutura acadêmica, reunindo unidades de ensino, pesquisa e outros.

Vista de cima, a dimensão do campus impressiona. Prédios, vias extensas e áreas de circulação revelam uma universidade ampla e consolidada. No entanto, ao se aproximar, as imagens de drone mostram um cenário marcado por barreiras físicas que comprometem a acessibilidade.

Em diferentes pontos, calçadas apresentam irregularidades, com buracos, desníveis e trechos sem pavimentação adequada. A falta de padronização dificulta a locomoção de cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida, além de aumentar o risco de acidentes. Em alguns casos, o percurso é interrompido, obrigando o desvio por áreas não adaptadas.

imagem feita por drone sobrevoando a UFG. Foto: Raniê Solarevisky/BIGOD/UFG

A dificuldade de circulação também se agrava pela falta de conexão acessível entre os prédios. Em um campus de grandes proporções, a ausência de rotas contínuas e adaptadas faz com que estudantes com deficiência precisem percorrer trajetos mais longos — ou, em alguns casos, deixem de acessar determinados espaços.

Imagem de drone sobrevoando a UFG. Foto: Raniê Solarevisky/ BIGOD/UFG

Além disso, a sinalização ainda é insuficiente. A ausência de piso tátil em diversos trechos compromete a autonomia de pessoas com deficiência visual, que dependem desse recurso para se orientar com segurança pelo ambiente.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 8,4% da população brasileira possui algum tipo de deficiência. A ampliação de políticas de acesso ao ensino superior nos últimos anos aumentou a presença desse público nas universidades, tornando a adaptação dos espaços físicos uma demanda cada vez mais urgente.

imagem de drone sobrevoando a UFG. Foto: Raniê Solarevisky/BIGOD/UFG

Para estudantes com deficiência, os desafios vão além da sala de aula. “Tem lugares que eu evito, porque sei que não vou conseguir chegar com facilidade. Isso acaba limitando minha rotina dentro da universidade”, Juliana Moreira, aluna do curso de música que possui cegueira.

imagem de drone sobrevoando a UFG. Foto: Raniê Solarevisky/BIGOD/UFG

A legislação brasileira garante o direito à acessibilidade em espaços públicos e institucionais. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) determina que ambientes de uso coletivo devem ser planejados e adaptados para garantir autonomia e segurança a todas as pessoas.

Enquanto a UFG amplia o acesso ao ensino superior e fortalece políticas de inclusão, as imagens de drone mostram que a estrutura física do Campus Samambaia ainda representa um desafio para a permanência e a plena participação de estudantes com deficiência.

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