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A capital enfrenta cenários irregulares mesmo com o título de cidade mais arborizada do mundo

Arthur Gabriel e Anna Júlia Moreira

Goiânia é reconhecida  no âmbito nacional e internacional por sua arborização. Com mais de 1 milhão de árvores, que se encontram distribuídas entre 60 bosques e parques, a capital de Goiás recebeu o título de cidade mais arborizada do mundo, concedido pela Organização das Nações Unidas  (ONU) no ano de 2024.

Porém, a distribuição de áreas verdes em Goiânia ainda é desigual, se concentrando nas regiões sul e central da cidade e com pouca disponibilidade em zonas periféricas. A avenida Alberto Miguel do setor Campinas, por exemplo,  é contemplada com uma baixa cobertura vegetal quando comparada com a Avenida Quitandinha, no setor Jaó.

Pedro Teixeira, que trabalha vendendo pipoca nas proximidades do zoológico de Goiânia aos fins de semana, afirma que vê bastante diferença na quantidade de árvores distribuídas na cidade: “Na região do setor oeste, onde costumo vender, tem bastante árvores. Há até um frescor, por mais que na parte da tarde o sol esteja bem quente. Mas, nas proximidades de onde moro, não se encontra nenhuma árvore. Moro num bairro mais periférico, distante do centro da cidade”, afirma Pedro.  Essa discrepância entre os bairros da cidade referente à arborização reflete a ausência do Plano Diretor de Arborização (PDAU), iniciado em 2007 e segue em tramitação na Câmara Municipal.

A seguir, há um mapa que expressa a concentração de áreas verdes nas regiões mais nobres da cidade de Goiânia:

Mapa da concentração de áreas verdes nas regiões nobres da cidade de Goiânia

O mapa retrata a arborização desigual na região metropolitana. Questões históricas, sociais e econômicas são centrais para essa dicotomia.

Histórico da Cidade

A diferença na arborização em Goiânia pode ser compreendida ao adentrar-se na história de formação da cidade e de cada setor. Segundo a dissertação de Daniela Godinho, o bairro de Campinas, no século XIX, era uma cidade com aspectos e estruturas urbanas coloniais quando, posteriormente, foi incorporado à Goiânia. Ou seja, nessas primeiras arquiteturas urbanas as árvores ficavam restritas às praças. 

Por outro lado, setores como Jaó e Sul foram planejados sob modelo europeu do século XX das chamadas “cidades-jardins”, que compreendiam maiores extensões de áreas verdes, praças e parques com o intuito de oferecer conforto térmico e paisagístico à uma população reduzida. 

Verticalização 

A geógrafa Anna Clara Vieira afirma que setores que têm recebido maior verticalização, como Bueno e Marista, costumam reduzir a quantidade de árvores ao longo do tempo: “Embora os goianienses ainda carreguem o costume de manter uma árvore no quintal de casa, o processo de verticalização tem reduzido as manchas verdes no espaço urbano da cidade, que fica mais suscetível a formação de ilhas de calor”, diz Anna. 

O crescimento de áreas comerciais também afeta na quantidade de árvores. De acordo com a pesquisa intitulada “ Arborização Urbana e Cidades Saudáveis: Índice de supressão arbórea no sistema viário e sua influência na valoração do imóvel comercial”, de Fábio de Souza, aponta que o aumento de lotes comerciais contribui na queda no número de árvores em determinados bairros de Goiânia. 

O Estudo aponta que no setor sul, há uma redução de 29 árvores anualmente. No centro há uma diminuição de 11 árvores por ano. “ Em Goiânia existem políticas públicas que procuram contornar a situação da arborização desigual. Porém, ainda falta fiscalização por parte do governo acerca da constante perda e diminuição da cobertura vegetal da cidade. Também falta atuação do plano diretor de Goiânia”, afirma a geógrafa.

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