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Goiás Vôlei: primeira equipe do Estado a participar da principal divisão do Campeonato Brasileiro de Voleibol, ainda que a passagem pela “Superliga A” tenha sido rápida, representou muito para o time e para o cenário goiano de voleibol. Recentemente, o Goiás Vôlei estreou na “Superliga B” e conta com a homogeneidade do elenco como um dos grandes trunfos para buscar o retorno imediato à elite do vôlei brasileiro. A preparação começou em outubro do ano passado, mas o grupo ficou completo em dezembro. Vale lembrar que na pré-temporada, houveram amistosos, além do Campeonato Goiano, que prepararam a equipe.
O time que nasceu da parceria entre a Associação Esportiva Vôlei Pró e do Goiás Esporte Clube, teve como a primeira ação na nova temporada anunciar Hítalo Machado, que foi assistente-técnico da equipe goiana na Superliga 2021/2022, como o novo comandante do time esmeraldino. O treinador assume no lugar de Marcos Henrique Nascimento, o Marcão, que deixa o time após o rebaixamento na Superliga.
O Lab Notícias entrevistou Rogério Santos, referência no vôlei de base do Estado de Goiás e auxiliar técnico do time Goiás Esporte Clube, que falou sobre o retorno do time para a Superliga B. Além disso, traz sua experiência com o voleibol e conta um pouco da sua percepção sobre o cenário do vôlei em Goiás.
Gilnara: Como é o cenário do vôlei hoje no estado de Goiás?
Quando eu comecei a trabalhar com voleibol, em 1995, tínhamos muita dificuldade de participar dos eventos, porque em Goiás eram poucos os times, mas depois de 2002, as portas começaram a se abrir mais. O vôlei foi crescendo e criando uma dinâmica diferente. Depois do surgimento da liga goiana, em meados de 2012, o quadro relativo ao voleibol foi melhorando. E hoje, nós observamos no cenário goiano um avanço gigantesco, pois conseguimos desenvolver melhores profissionais e melhores torneios. E o que diferencia o nosso Estado é a quantidade de jogos que a gente faz, melhorando também o nível técnico. Claro que ainda estamos longe de alcançar os times do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas, mas o importante é evoluir.
Gilnara: Como se deu seu envolvimento nessa área?
As coisas aconteceram de forma inesperada, antes eu já jogava, mas não profissionalmente, e cheguei a trabalhar em outras áreas. Mas um amigo me apresentou um projeto de iniciação esportiva da prefeitura aqui de Goiânia, chamado “Draulas Vaz” que recruta ex atletas e eu me interessei.
Posteriormente, fiz uma prova na Secretaria de Esporte e Lazer em 1995 e fui aprovado. Assim, comecei a trabalhar com voleibol e futsal na periferia e de lá para cá, me graduei em educação física, fiz cursos e fui me especializando, me tornei técnico formador e comecei a entrar nas equipes do vôlei goiano.
Tive o prazer de ser campeão brasileiro da Superliga B com o Monte Cristo em 2013. Entrei para a Seleção Goiana que foi quando tive maior contato com times de outros estados e participei mais dessa grande comunidade que foi sendo construída dentro desse esporte. E esses campeonatos me proporcionaram maior conhecimento, o que me ajudou muito, e esses aprendizados também têm impactos no nosso time como um todo.
Gilnara: Na temporada de 2021/22 o Goiás Esporte Clube participou da Superliga A. O que tira de aprendizado?
A Superliga A caiu no nosso colo de uma hora para outra, o convite veio um pouco em cima da hora, mas não poderíamos deixar de participar, era a oportunidade para a primeira equipe do Estado de estar na Liga A, mas a preparação poderia ter sido melhor. E essa transição do time de esporte de base para o de alto rendimento foi difícil, tanto em relação ao público, quanto aos empresários. Muitos empresários daqui no Estado não enxergam a importância do esporte e o classifica como despesa e não incentivo. Isso tem sido um dificultador para as equipes no geral. E deixamos um pouco a desejar quanto a preparação, porém, estamos fazendo um processo muito bom para a Superliga B, eu vejo evolução e grandes expectativas.
Gilnara: Em janeiro de 2022, uma partida entre o Goiás vôlei e Brasília vôlei, pela décima quarta rodada da Superliga masculina, foi adiado por causa de um surto de covid 19 no elenco esmeraldino. Não sabemos ainda o impacto a longo prazo do vírus à saúde, mas você observa algum reflexo no rendimento do elenco, nesse pós-pandemia?

Com certeza, sentiu-se muito os impactos no preparo físico, até porque não temos muito claro ainda as sequelas do vírus. Há dificuldade em voltar ao que era antes, mas é algo em que estamos trabalhando muito.
Gilnara: O time vem apresentando seus reforços, inclusive na página do Instagram, em que os próprios jogadores se apresentam, dentre eles o novo central Henrique Vinícius, Matheus Pedrosa na mesma posição, Robson Valença, novo ponteiro, dentre outras contratações. Como vem se desenvolvendo o novo elenco?
É um grupo que se formou agora, mas sedento por conquistas, os meninos querem se projetar no futuro do esporte. Além de saberem a relevância de jogar esse campeonato agora. Então, a preparação vem sendo adequada e o objetivo é o acesso à primeira divisão.
Foto destacada: Goiás Vôlei no Instagram
