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Através do Núcleo de Acessibilidade, criado em 2008, a Universidade Federal de Goiás tem por objetivo, como informa em site oficial: “propor e viabilizar uma educação superior inclusiva aos estudantes com deficiência física, visual, auditiva, intelectual, com transtornos globais do desenvolvimento e alta habilidade/superdotação”. De acordo com a Política de Acessibilidade da instituição, as diversas ações do Núcleo seguem os eixos de inclusão e permanência; infraestrutura acessível; acessibilidade pedagógica, curricular, comunicacional e informacional; ensino, pesquisa e inovação em acessibilidade, dentre outros.
O dilema começa porém, quando quem precisa desses serviços expõe as dificuldades enfrentadas diariamente. Tendo em vista a falta de resposta do Núcleo de Acessibilidade sobre os feitos realizados até o momento, o estudante de Jornalismo Pedro Paulo Lemos de 19 anos, deficiente visual, manifesta suas críticas aos serviços oferecidos pela entidade. Após nascer com glaucoma congénito [causado por má formação no sistema de drenagem de líquidos no olho], Pedro Paulo foi perdendo a visão gradativamente até não conseguir ver além de sombras e feixes de luz.
Em visita ao local de trabalho da organização, com uma colega também deficiente visual, o estudante relata o despreparo com que foi recebido: “para mim que não enxergo nada, eles entregaram um banner normal, já para minha colega que enxerga, entregaram um banner em Braille. É nesse nível.” Ele acrescenta: “sempre que precisei dos trabalhos deles, para transcreverem um texto da aula no formato que consigo ler por exemplo, eles falavam que demoraria um mês para entregar. Na faculdade não temos esse tempo. É um trabalho que existe, mas que no meu caso foi completamente ruim, não funcionou. Só tenho críticas.”
A ajuda que recebe dos colegas é o que torna sua vivência na faculdade mais fácil e acessível, a maioria se preocupa em colaborar para maior igualdade. “Alguns professores também se preocupam com isso, há professores que disponibilizam transcrição dos textos e imagens. Eles e os alunos fazem ficar mais acessível, sem isso, somente com o que o campus oferece, seria bem difícil.” Pedro Paulo continua:
“Em questão de serviços prestados pelo Núcleo, acho que não utilizo nenhum. As coisas relacionadas a acessibilidade que uso vêm dos alunos – os veteranos e o pessoal da minha turma – que se juntam para transcreverem os textos que preciso. Da universidade mesmo, acho que não faço uso de nada que disponibilizam, ou porque não me atende ou porque não é tão bom.”
Pedro faz ainda considerações acerca de melhorias que podem ser tomadas pela Universidade:
“maior disponibilidade de marcação pelas ruas do campus, pisos táteis para nos orientar. Por vezes, os caminhos que até são acessíveis ficam cheios de mato, o que é mais um problema, por ser perigoso. A coordenação e alguns professores também deviam se preocupar mais com essa questão, ofertando material e atividades mais acessíveis.”
Mesmo com as diversas tentativas de contatar o Núcleo de Acessibilidade do Campus Samambaia, até o presente momento, não fomos atendidos ou respondidos.
Foto em destaque: PAULO H CARVALHO
