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O preço do diesel apontou alta de 10% nos postos nacionais, tornando-o ainda mais caro do que a gasolina; valor gera resposta nas prateleiras dos supermercados

Caminhão estacionado em frente a um galpão. Foto por Han Chenxu. Disponível em Unsplash.

A Petrobras reajustou os valores dos combustíveis no dia 16 de junho de 2022: a gasolina subiu 5,18%; enquanto a alta do diesel foi de 14,26%. O aumento pode ser o pesadelo da população, não apenas ao precisar abastecer seus veículos, mas também na hora de fazer as compras do mês, visto que o diesel é o principal responsável por equipar os caminhões usados para transporte de produtos no setor de alimentação. 

Em geral, o óleo diesel é efetivo para o transporte rodoviário (carros, ônibus e caminhões), colaborando para o transporte de produtos do norte ao sul do país. A tecnologia é mais moderna, com altas taxas de compressão, permitindo maior aproveitamento da potência do motor e injeção direta de combustível, tendo como principal vantagem o baixo consumo e a aceleração mais rápida.

Por viverem em um país em desenvolvimento, o poder de compra dos brasileiros tende a ser mais baixo. No caso do Brasil, boa parte do consumo médio nacional é destinado para o pagamento de alimentos. Com o aumento do diesel, o poder de compra das pessoas com renda mais baixa cai, gerando até mesmo insegurança alimentar.

Márcio atua como fornecedor para o mercado de peixes e contou que a alta do diesel gera transtornos para o seu negócio: “As coisas mudam tanto que a gente até esquece da pandemia, né? Para a gente o problema é a crise do óleo diesel. Para a pesca [ele] é 70% do custo, e não conseguimos repassar. Com o preço que está agora fica pior que a pandemia, né? Precisaria aumentar os valores, mas não dá para repassar, o mercado não aceita.”, desabafa.

Mulher fazendo compras de supermercado. Foto por Tara Clark. Disponível em Unsplash.

“De uma forma simplista, como a inflação vai aumentando, e com isso os preços dos bens e serviços, ocorre a redução do nosso poder de compra, tendo em vista que a nossa renda não acompanha o aumento dos preços. O salário continua o mesmo, e o custo de vida aumenta.” Explica Euder Ribeiro Cirqueira, economista pela UEG, ao ser questionado sobre o poder de compra do brasileiro.

O profissional também explicou a relação entre o aumento do combustível e o preço dos produtos em supermercados: “A influência do aumento dos preços dos combustíveis, principalmente o diesel, exerce um forte impacto no aumento do preço dos alimentos. O principal motivo é o de que, no nosso modal de transporte, o rodoviário representa cerca de 60% das cargas que circulam no nosso país. Isso acarretou um aumento aproximado de 10% nos preços dos hortifruti vendidos no atacado.”

Ao ser perguntado sobre datas para um reajuste, o entrevistado expõe: “É difícil cravar um prazo para a queda dos preços dos alimentos. O governo federal tem tomado algumas medidas no sentido de tentar controlar e reduzir os preços do diesel. Há promessa de compra da Rússia por um preço mais barato. Mas há entraves em virtude de embargos econômicos impostos à Rússia pela guerra com a Ucrânia e pelo aumento sazonal da demanda mundial por diesel agora neste semestre.”

Euder conclui apresentando a relação entre a margem de venda e o poder de consumo dos brasileiros: “Os supermercadistas têm uma margem de lucratividade baixa, entre 1% a 2%, pois a concorrência no setor é muito acirrada e o consumidor se tornou mais consciente e atento aos preços. Isso traz uma vantagem para o consumidor, pois se há um aumento discrepante de preço, em alguma rede de supermercado, a perda de vendas é imediata.” Ele ainda deixa um conselho para o consumidor: “Em tempos de preços tão elevados o consumidor deve fazer suas pesquisas de preços e também  substituir alguns produtos por outros mais baratos. O controle do orçamento doméstico é fundamental para que as famílias não tenham um endividamento ainda maior.”

One thought on “Economia: como o último aumento do óleo diesel pode afetar a vida dos brasileiros?”

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