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Com a volta dos jogos presenciais, surgem novos casos de disputas motivadas por rivalidade esportiva entre torcedores no Estado de Goiás

O confronto entre torcedores de times rivais, tanto dentro quanto fora dos estádios, é um problema presente no cenário esportivo brasileiro há bastante tempo. Com o retorno presencial dos jogos nos estádios, as notícias sobre casos de violência contra torcedores e jogadores voltaram à tona. Dividindo a hegemonia do futebol local desde 1970, a rivalidade entre o clássico Goiás x Vila Nova, também conhecido como Derby Goiano, não existe apenas no gramado, mas também se estende para fora do estádio, na vida dos torcedores.
No último dia 23 de julho, um rapaz de 23 anos foi espancado por membros da Torcida Esquadrão Vilanovense por fazer parte da torcida organizada do time do Goiás, Força Jovem Goiás, de acordo com a Polícia Militar (PM). Ainda em Goiânia, no dia 16 de junho, o Vila Nova disputou contra o Operário, time paranaense, culminando no empate entre os times. No mesmo dia, imagens de câmeras de segurança registraram quando três jovens foram agredidos no Setor Recanto do Bosque e que usavam a camisa do time colorado.
Em entrevista ao Lab Notícias, Matheus Oliveira, estudante de jornalismo pela UFG e torcedor do Goiás desde a infância, relata que já presenciou briga entre torcedores e que só se sente seguro indo aos estádios dependendo da região em que irá assistir à partida. “Quando eu assisto ao jogo na região das cadeiras do estádio me sinto seguro, acho um ambiente que me proporciona uma maior sensação de segurança. Agora quando fico na arquibancada, confesso que me dá um medo de rolar alguma confusão em que eu esteja perto”, relata o torcedor que já presenciou confusões em alguns jogos.
Matheus também compartilha sua perspectiva sobre os jogos Goiás x Vila Nova, marcados pelo histórico agressivo de brigas entre torcidas: “Apesar dos jogos agora serem apenas com a torcida do clube mandante no estádio, eu ainda tenho um pé atrás de ir. Então digo que eu, particularmente, ainda não me sinto confortável em ir ver um Goiás x Vila no estádio, muito por conta do que acontece após o jogo.”
Victor Hugo Araujo, jornalista esportivo da TV Anhanguera, comenta que a tentativa de evitar que as duas torcidas permaneçam no mesmo ambiente durante os jogos é de pouca efetividade, pois a maioria das brigas – e as mais violentas – ocorrem fora do estádio e na maioria dos casos em dias e horários em que os times não estão se enfrentando.
“Às vezes eles entram em confronto simplesmente por entrar. Essas brigas acontecem principalmente, sobretudo as mais violentas, envolvendo hospitalizações e mortes, fora do estádio. Dentro do estádio eu acredito que é prudente haver uma separação, uma setorização do estádio, um policiamento como já é feito, né? Agora, é fato também que a gente não pode tapar os olhos para o perigo que é juntar uma grande quantidade de torcedores rivais em um mesmo ambiente.”, afirma o jornalista.
Ex-membro da Esquadrão e torcedor do Vila Nova, que prefere não se identificar, compartilha sobre sua experiência como torcedor que já esteve envolvido em brigas. “Já apanhei, já bati e já levaram minha camisa [os policiais]. Mas é muito difícil você brigar um a um, sempre tem mais de um”, relata.
Ele também comenta sobre a violência fora dos estádios, que, por mais que haja policiamento, ocorrem com frequência. “Hoje em dia os jogos são de uma torcida, muito difícil ter as duas muito pelas brigas que acontecem. Mesmo quando só tem uma torcida ainda rola briga porque sempre tem pessoas do lado de fora esperando o jogo acabar para arrumar briga. Ir para assistir eu gosto, mas em questão de torcida organizada é ruim porque mesmo se não tiver nada a ver com a torcida, mas estiver perto de alguém que faz, sobra para você.”, declara.
Ainda de acordo com Victor Hugo Araújo, a impunidade fortalece muito a agressividade e a criminalidade:
“O primeiro motivo eu acredito que seja pela falta de educação, pela violência e pelo criminoso em si que provoca esse tipo de situação, mas acredito também que isso tudo é fortalecido por conta da certeza da impunidade”, afirma.
Entramos em contato com Renato Brum dos Santos, Secretário de Segurança Pública do Estado de Goiás, na tentativa de discutir questões como planejamentos para a contenção dos casos de confusões e possíveis soluções para o problema, mas até a publicação dessa matéria não houve retorno por parte de sua equipe.

Parabéns pela notícia Thaynná ????, infelizmente essa violência acarretada pela rivalidade entre times é muito frequente.